Sociólogo, especializado em cultura afrodescendente, debate sobre a Data Magna

Quarta-feira (26), os alunos do campus Antônio Bezerra tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a Data Magna do Ceará, instituída desde 2011, alusiva à abolição da escravatura em território cearense e que gerou o feriado de 25 de março.
Para debater o assunto, foi convidado o sociólogo, mestre em História, estudioso de temas afrodescendentes e professor da Instituição José Hilário Ferreira Sobrinho. O docente fez um resgate histórico dos negros no Ceará, destacando a forte presença de congoleses e angolanos, e desmistificou a ideia de que não tinha negro no estado. “Em meus estudos, pude comprovar que desde o primeiro censo realizado em 1804, os pretos eram maioria em municípios como Aquiraz” disse o estudioso, apresentando pesquisas da época.
José Hilário seguiu sua explanação mostrando algumas causas que levaram a fomentação desse movimento abolicionista. Para ele, alguns fatores foram importantes para os primeiros passos da abolição, dentre eles o processo de urbanização de Fortaleza na metade do século XIX, o envolvimento da elite letrada e a ocupação do assunto na Assembleia Provincial, através da discussão da Lei do Ventre Livre. “Apesar da boa ideia de Pedro Pereira, a Lei jamais entrou em vigor, pois quem detinha o poder, os fazendeiros, não aprovaria”.
Apesar dos fatores acima mencionados, o sociólogo considera fundamental para fixação do movimento abolicionista, a renúncia por parte dos jangadeiros de levar negros aos navios. “Pessoas, como Antônio Napoleão e Dragão Mar, realmente deflagraram a ideia de liberdade e retiram os negros de suas jangadas, o que quase gerou uma guerra entre a Marinha que apoiava os senhores e o Exército favorável aos abolicionistas” explicou José Hilário.
Sobre a data 25 de março de 1884, o professor relatou que, apesar de Acarape (hoje Redenção) ter libertado seus escravos, havia várias comunidades escravistas no interior, entre elas, Milagres no Cariri que, de acordo com o pesquisador, libertou seus escravos seis anos depois.
No final da apresentação, o professor José Hilário respondeu a perguntas de alunos e concluiu que nos dias atuais, o Brasil ainda vive cenários preconceituosos citando casos como o do ajudante de pedreiro, Amarildo de Souza, desaparecido depois de ser levado por policiais da UPP da Rocinha e da auxiliar de serviços gerais, Cláudia Silva, que após ter sido baleada, foi arrastada por cerca de 350 metros depois que o porta mala do carro da Polícia Militar se abriu.
O evento, vinculado às disciplinas de Fundamento do Turismo e Hotelaria I e a de Marketing e aos grupos acadêmicos Turismo Responsável e Administração, foi organizado pelos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Turismo e serviu como Atividade Complementar. Prestigiaram o momento, o coordenador acadêmico do campus, Silveira Benício, e os coordenadores Francisco José Barros (Turismo), José Arthur Freitas (Ciências Contábeis) e Valdênia Saraiva (Administração).
Assessoria de Imprensa
Emanuel Santos

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