HUB MARÍTIMO POTENCIALIZA COMÉRCIO INTERNACIONAL DO CEARÁ – A economia cearense vive novo momento.


Seguindo uma trilha diferente da crise vivenciada por boa parte dos estados brasileiros, o Ceará desponta com um projeto estratégico de grande alcance internacional, com a implantação da “trinca de hubs”, uma alusão do governador Camilo Santana para a consolidação de um dos maiores investimentos realizados na história do Estado, voltado para a transformação da economia cearense.

Em artigo anterior, o autor fez uma alusão ao hub aéreo, fruto de parceria entre as empresas aéreas Air France-KLM-GOL, com operação iniciada no início de maio. Contudo, neste artigo, será feita menção específica da parceria desenvolvida pelos Portos do Pecém e de Roterdã, na integração logística do transporte de cargas com os continentes europeu e asiático, este último através do Canal do Panamá, reduzindo o “transit time” de produtos transportados entre Brasil e Ásia na ordem de 15 dias.

A viagem inaugural foi realizada recentemente, com a chegada no Pecém do primeiro navio procedente de Cingapura, em 14 de maio. Essa nova rota marítima foi denominada de AC5, operada pelas empresas Maersk Line, Hamburg Sud e APM Terminals, atendendo demanda nas cidades de Cingapura; Hong Kong; Busan (Coreia do Sul); Xangai, Ningbo e Xiamen, na China.

Localizado no município de São Gonçalo do Amarante, o Porto do Pecém foi concebido como um terminal Off Shore (fora da costa), ou seja, localizado dentro da zona marítima continental, com o objetivo de buscar águas profundas, com a preservação das condições ambientais do local. Tornou-se a mola propulsora para transformar a região no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), concebido originalmente para acolher indústrias âncoras que tivessem completa interdependência entre si. A refinaria, siderurgia e uma ZPE (Zona de Processamento de Exportação) seriam as prioridades iniciais. Por questões políticas, o Ceará foi preterido pela implantação da refinaria na região, indo para Suape, em Pernambuco.

Com uma localização estratégica privilegiada, o Pecém possibilita fácil acesso aos maiores mercados mundiais, especialmente com a implantação do novo canal do Panamá, que permite o trânsito de grandes embarcações denominadas post-Panamá. Outro diferencial do Ceará foi a implantação da primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do país, ampliando oportunidade para grandes investimentos na área do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). A parceria entre os Portos do Pecém e Roterdã, impulsionou o Pecém a se tornar mais competitivo a nível internacional, tornando-se um hub de grande relevância no Brasil.

O Governo do Ceará tem realizado grande esforço na estratégia de criar ambiência para o investidor, não somente com incentivos, mas na organização da situação fiscal do Estado, melhoria contínua na educação básica e melhor nível de transparência, apenas para citar os principais. Contudo, o município de São Gonçalo do Amarante, diferente da atuação do governo estadual, não consegue estabelecer os projetos estruturais necessários para receber grandes projetos como os realizados no CIPP.

O município ainda adota gestão de natureza provinciana, embora tenha melhorado no último governo. Porém é visível a falta de estrutura viária, de incentivos ao estabelecimento de pequenas empresas, além da ausência de projetos voltados para formação técnica de trabalhadores locais, salvo a iniciativa de uma instituição particular que implantou a primeira Faculdade da região. A própria formação dos gestores municipais precisa ser aperfeiçoada consideravelmente, tendo em vista a importância dos grandes projetos que aportam na região. A concepção de um planejamento estratégico, envolvendo setores do governo e sociedade é uma das medidas prioritárias, que tudo indica inexistir na atual gestão municipal. Um mar de oportunidades se projeta para o desenvolvimento regional de São Gonçalo do Amarante, contudo sem a necessária sinergia entre a gestão municipal, estadual e a própria sociedade, tudo se torna difícil e moroso.



Prof. João Batista Ximenes || Formação e experiência

João Batista Ximenes é Administrador de Empresas, com especialização em Marketing e mestre em Economia pela UFPE (2008). Professor da Faculdade Ateneu – FATE desde 2009, atualmente com a disciplina de Fundamentos Logísticos. Micro empresário, sócio fundador da Maria Pitanga Açaiteria.

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