PLANEJAMENTO DE CARREIRA COMO FERRAMENTA NECESSÁRIA DO PROFISSIONAL MODERNO

Por Profº Dr. Ernesto Cezar X Castro Filho

O mercado de trabalho atual, complexo e competitivo exige do indivíduo, ampla formação capaz de garantir sua participação como membro ativo da sociedade, despertando a necessidade da busca de uma qualificação que possa inseri-lo nesse novo mercado, considerando a satisfação funcional e salarial básicas e a postura de profissional que almeje uma carreira de sucesso.

A constante exigência de produtividade e de metas definidas nas organizações e o surgimento de novas profissões vêm provocando mudanças importantes nas relações entre o capital e o trabalho, fazendo com que o profissional tenha necessidade de aprimorar sua qualificação e formular um plano de carreira que possa facilitar sua empregabilidade.
Dutra (2012) define carreira como uma sequência de cargos ou posições ocupadas através de eventos comportamentais, associados as competências e as experiências relacionadas ao trabalho durante um período de vida. Entende o plano de carreira como um programa de ações estruturado que determine o caminho para o desenvolvimento profissional do empregado dentro da organização.

Os resultados desses planos nem sempre são lineares, são permeados de eventos inesperados, estando em constante construção e desconstrução. Isto é, diferentemente do que pensa inicialmente o indivíduo ao formular um plano de carreira, acredita que ao pô-lo em prática, sua carreira terá um desenvolvimento linear, que o levará rapidamente ao sucesso e a satisfação profissional. Na prática, observa-se que a construção de uma carreira deve estar alinhada com as expectativas dos profissionais como também das empresas, enfatizando dessa forma a necessidade de um sistema de administração de carreira.

Para Dutra (2012), a administração de carreira é uma ferramenta que tem como finalidade a conciliação das expectativas de desenvolvimento da organização com as expectativas do trabalhador, tanto nos aspectos profissionais como pessoais. Salienta também que a responsabilidade do planejamento de carreira é prerrogativa do empregado, enquanto que a administração da carreira deve ser da empresa, através da gestão compartilhada e do gerenciamento de oportunidades.

Savioli (1991) estabelece a carreira como uma estrutura sistêmica e que a atividade profissional deve estar relacionada com o seu meio ambiente no decorrer de sua vida laboral. Salienta a importância do autoconhecimento com as várias experiências tanto profissionais como pessoais no seu ambiente de trabalho atual e futuro. O modelo proposto pelo autor descrito no manual de autoconhecimento estabelece quatro ações que o trabalhador deve fazer antes de criar seu plano de carreira:

1. Registrar o que você gosta de fazer, independentemente do que você é obrigado a fazer por dever profissional; do que você não gosta de fazer, esteja ou não sendo levado a praticar; do que sabe fazer bem, forma de concretizar habilidades e atitudes; do que não sabe fazer bem. Estes registros devem ser efetuados em três campos: o individual e familiar, o social e o profissional.
2. Visualização do futuro, descrevendo como você projeta seu futuro para daqui a cinco anos em termos de composição familiar, saúde, lazer, situação econômica, desenvolvimento cultural do cônjuge e dos filhos, autodesenvolvimento, comunidade e vida espiritual.
3. Realização de um balanço da situação atual em relação ao projetado e estabelecimento de mudanças desejadas.
4. Projeções de mudanças no cenário profissional para os próximos cinco anos e análise de como elas poderiam interferir em sua visualização do futuro, tais como: mudanças políticas, sociais, econômicas, culturais, tecnológicas, etc.

Outro aspecto relevante para a elaboração do planejamento de carreira é o conhecimento por parte do trabalhador das diversas âncoras de carreira. Podemos citar algumas propostas por diversos autores que poderão facilitar na tomada de decisão. Competência técnica/funcional - caracterizada por pessoas que se consideram conservadoras, evitando mudanças radicais, preferem prosseguir usufruindo e mantendo suas habilidades técnicas atuais; competência de gestão – representada por pessoas que têm características de liderança mais desenvolvidas, no qual as competências a serem ampliadas são as de gestão, vinculadas as relações interpessoais; segurança - é caracterizada por pessoas que buscam a segurança e diz respeito ao receio de serem remanejadas, expatriadas ou de mudar de empresa; criatividade – caracterizada pelos empreendedores, pessoas que buscam sempre a inovação, desenvolvendo as mais diversas ações de maneiras jamais realizadas e autonomia/independência - trata da ideia de sair da formalização imposta pelo ambiente organizacional, evitando regras, normas e regulamentos na busca de liberdade. O trabalhador deve alinhar uma dessas âncoras as suas competências e habilidades.

O trabalhador deve traçar planos para sua vida pessoal e profissional, elaborando um planejamento de carreira no qual deverá seguir algumas etapas. Primeiro deve buscar informações precisas sobre a carreira pretendida, envolver pessoas experientes, ter intuição e ousadia, comprometer-se com as ações estabelecidas, avaliar constantemente todos os passos planejados e determinar o ambiente de crescimento se, o trabalhador quer crescer dentro da empresa e da ocupação, ou dentro da empresa e fora da ocupação, ou mesmo dentro da ocupação e fora da empresa ou ainda fora da ocupação e fora da empresa.

Alguns cuidados deverão ser observados pelo trabalhador, conhecer as limitações externas (mundo) e as internas (limitações pessoais); deve definir metas; jamais desviar o foco, determinar o ponto que se deseja alcançar; sempre planejar, organizar, coordenar, controlar as ações que devem ser executadas e criar objetivos de carreira de longo prazo (três a cinco anos), de médio prazo (um a três anos) e de curto prazo (um ano).

Ao agir baseado nestas considerações o trabalhador terá maior facilidade nas tomadas de decisões em relação a sua carreira, auxiliando dessa forma o seu desenvolvimento profissional e pessoal.


Profº Dr. Ernesto Cezar Xerez de Castro Filho - Doutor em Ciência da Educação pela Universidade UDELMAR do Chile com validação da Universidade Federal do Ceará UFC. Especialista em Administração de Negócios pelo Instituto de pós-graduação da Faculdade Ateneu. Professor das disciplinas: Estratégia Empresarial, Tópicos Especiais em Administração e Economia de Empresa da Faculdade Ateneu - FATE.

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